Tenho habitado no meu ser o medo. Medo de encarar, medo de
tentar, errar, acertar. Corro por todos os lados e de todos os lados. Vivo
cercada por um labirinto do qual só eu sei sair, mas o medo não deixa. Sei de
cor o caminho, mas ao cruzar com o portão o medo trava. Contrariamente, uma
coragem imensa divide espaço com esse sentimento. Um pássaro livre parece
querer sair do meu peito. Vontade de dominar o mundo – o MEU mundo! A
felicidade parece tão perto, mas até mesmo lá o medo habita.
Queria não sentir esse medo, mas só em pensar no medo já
sinto medo. Uma vez me disseram que o medo em pequenas doses é saudável, pois é
a autodefesa natural do ser humano. Mas minha autodefesa é ativa a todo o
tempo. Perco-me em pensamentos e vontades, penso em coisas que poderia fazer,
tentar, arriscar e lá está ele: o medo.
Recordo-me da infância, quando não pensava tanto e vivia
mais ingenuamente, sem ter a obrigatoriedade de ser algo que eu não era. Por
muitas vezes culpei a sociedade e a família por esse excesso de defesa. Em
parte a culpa deles, em parte a culpa é minha.
Quantas coisas já perdi?.... Um bom tanto eu perdi...
Entre todo esse sentimento, sinto, por diversas vezes, um
vulcão voraz querendo entrar em erupção. Falta só um pouco de força pra fazer
ele sair. Talvez eu seja mais feliz sendo algo que eu sou e não o que os outros
queiram que eu seja. Coragem...